sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Isto não é cordel!
É, de cordel passa longe.
O tal "poeta" Lirinha
É produto do mercado
Pois não verseja uma linha
Sem verso mal acabado
É ruim mercadoria
Infeliz apologia
Ao cordel e seu legado
Cabra da voz enjoenta
Que faz força ao declamar
Ô garganta catarrenta!
Tenho nojo de escutar
Do "mangue-beat" é fruto
Filho do Chico Ciência
Coisa que me deixa puto
É tal subserviência
Desse povo que mistura
Rock com nossa cultura
Criando essa flatulência
Pois rock pra mim não serve
Nem puro nem misturado
E baião também não deve
Andar mal acompanhado
Nem merece o poeta
Que honra a profissão
Andar junto d'um perneta
Que lhe tira a inspiração
Se não veio para cá
Deixa o José pra lá
Ninguém quer ele aqui não!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Juventude asinina

Então, nobres solidários? Como anda nossa juventude, nossa moçada brasileira, nordestina, cearense? Torço para que estejam "gozando a mocidade em toda sua plenitude". Se perguntarem aos jovens se assim estão, certamente responderão que sim e, sem sombra de dúvida, terão uma musiqueta daquelas a relacionar - "fiel à putaria", "sou viciado em putaria", "abre as pernas e dê uma sentadinha". Pra quê mais gozo que isso?
É. Certamente esta será a leitura de um(a) camaradinha desses(as) com seus 16, 18, 23 anos. Mesmo que saibam todos os significados do verbo gozar, estão tão erotizados - pornificados, melhor dizendo - que só recordarão de uma boa ejaculada. E não é ruim. Mas não é tudo! Este é o problema, pois o prazer carnal e o hedonismo estão no primeiro lugar em ordem de prioridade desta rapaziada. E talvez não haja nada após.
Esta mancebada em desenvolvimento será a mola mestra da sociedade, obviamente, dentro dos próximos dez anos ou menos. E se encaminha para lá com que cabeça? Com que formação política-sócio-cultural? Quais ideologias são contidas nela? Quais seus pontos de vista com relação à atual situação do país, do mundo globalizado? Pergunte-lhe sobre qual sua opinião com relação ao cenário político nacional e, fatalmente, ouvirá uma centena de "não gosto de política!", quando pouco, pois também há aqueles que dizem "sou de direita!". São conseqüências que, embora se difiram no que diz respeito à essência, possuem a mesma origem, que é a FALTA DE EDUCAÇÃO, seja ela formal, familiar, social. Afinal, jamais um esclarecido faria de seu ouvido uma latrina... Faria!?
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Os nomes
Todo nome tem um significado. Pessoas, lugares, objetos, tudo que é denominado tem uma razão de ser. Os pais escolhem o nome dos filhos, os colonizadores de um certo lugar o batizam também, um inventor dá nome à sua invenção. Deveria ter um sentido, mas nem sempre é assim. Podemos conferir isso nos nomes das bandas de "forró" tão conhecidas.
Aviões do Forró, Mala Mansa, Catuaba com Amendoim, Limão com Mel, Baby Som são alguns dos absurdos sem sentido que podemos destacar. Sei que há muitos outros, mas esse pequeno elenco já nos diz muito. Ora, algo que é feito em série, produzido para consumo, poderia ser batizado com um número, uma seqüência alfanumérica, ou algo que siga uma regra pré-determinada. Mas nos casos destes medíocres conjuntos é realmente aleatório, é a idéia invertida de alguém sem capacidade. Mais que um plágio grosseiro, uma convulsão concebida: de Fala Mansa vir "Mala Mansa". Além disso são feitos para um consumidor que nada exige; para ele é indiferente.
Quando não vagos, imorais, mas igualmente ridiculamente desprezíveis. Em escala crescente de pornografia: Desejo de Menina, Collo de Menina, Calcinha Preta, Banda Skema, Garota Safada, Mella Pinto! Pasmem meus amigos, pasmem. Sugestivos convites à devassidão. Inescrupulosos e obscenos títulos - parcela, talvez majoritária, de adeptos dessa "tribo" são adolescentes. E percebem que aqui, novamente, a mulher é colocada não só como objeto, mas também como meretriz? Outra característica de que são criações de asnos é o fato das consoantes dobradas, da deturpação gráfica em substituir "c" por "k", "s" mudo no início da palavra...
Pois bem, aqueles que quando perguntados sobre quais bandas musicais preferem, respondem com algum nome desses deveriam começar por se envergonhar. E que se envergonhem, arrependam-se, chorem, pratiquem penitência e renasçam com o senso crítico desenvolvido.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
A origem
O nome forró, de forma contrária ao que pensa a maioria, não é oriunda do inglês ou algo que o valha. Não tem nada a ver com o aportuguesamento de "for all". Vem do "forrobodó", palavra sinônimo de "confusão", o que está relacionado com o arrasta-pé dos casais dançando no terreiro das festas rurais nordestinas.
Outra informação importante é o fato de que forró não significa o estilo de música dançado nas festas populares nordestinas, mas sim, o evento em si, constituído por música e dança. Trata-se do festejo. As manifestações musicais verdadeiras são o baião, o xaxado, o côco, o xote etc.
Com base nisto, vemos que ainda mais longe está o que hoje se diz forró do que é o forró de fato - não há baião, xote ou xaxado, mas traduções medíocres de músicas norte-americanas e estrangeiras de segunda categoria, lambadas-rocks-vaneirões sem sentido, imersos, geralmente, num evento de grande porte com direito a dança, jogos de luz e palcos altos, via de regra, travestidos de super-produções.
Abertura
Brasileiro, nordestino e, acima de tudo, cearense. Assim me considero, tão cosmopolita quanto filho do canto da jandaia. E é dessa forma que não consigo fazer vista grossa, ou melhor, "oiça grossa", para a já duradoura e incômoda existência da má produção musical cearense, do forró subvertido, desta degradante pornofonia absurda que já se infiltrou nas famílias e espalhou-se pelo território nacional, portando, desonrosa e ilegalmente, a bandeira do Ceará.
Esta música desrespeitosa, repetitiva, pobre de forma e conteúdo, vem incutindo principalmente na cabeça dos jovens da nossa sociedade idéias distorcidas do que é normal, do que é belo. É ela que inverte valores enaltecendo o camarada que é "raparigueiro", "vagabundo" e que "bebe até cair", cantando a mulher "bandida", "roleira", e fazendo com que os menos informados achem que este é o nosso tão querido e valioso forró, música da nossa terra, dos nossos antepassados, das nossas tradições.
Aqui, neste espaço virtual, farei presentes minhas colocações, meus desabafos, minhas citações contra o tal "forró eletrônico". É aqui que digo a todos, em som alto e claro, que ISTO NÃO É FORRÓ!
