segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Abertura
Brasileiro, nordestino e, acima de tudo, cearense. Assim me considero, tão cosmopolita quanto filho do canto da jandaia. E é dessa forma que não consigo fazer vista grossa, ou melhor, "oiça grossa", para a já duradoura e incômoda existência da má produção musical cearense, do forró subvertido, desta degradante pornofonia absurda que já se infiltrou nas famílias e espalhou-se pelo território nacional, portando, desonrosa e ilegalmente, a bandeira do Ceará.
Esta música desrespeitosa, repetitiva, pobre de forma e conteúdo, vem incutindo principalmente na cabeça dos jovens da nossa sociedade idéias distorcidas do que é normal, do que é belo. É ela que inverte valores enaltecendo o camarada que é "raparigueiro", "vagabundo" e que "bebe até cair", cantando a mulher "bandida", "roleira", e fazendo com que os menos informados achem que este é o nosso tão querido e valioso forró, música da nossa terra, dos nossos antepassados, das nossas tradições.
Aqui, neste espaço virtual, farei presentes minhas colocações, meus desabafos, minhas citações contra o tal "forró eletrônico". É aqui que digo a todos, em som alto e claro, que ISTO NÃO É FORRÓ!
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3 comentários:
Concordo com a suas palavras e apóio sua iniciativa. Fico realmente com raiva quando alguém diz para mim que não sou Cearense porque não gosto desta coisa que nem merece ser chamada de música. Infelizmente nessas bandas há grandes músicos que são obrigados a tocar nelas para poderem pagar as contas, pois não há espaço aqui para um músico de verdade viver só da música. Minha esperança é de que um dia essa onda (de esgoto sonoro) passe, embora eu acredite que ainda vai durar muito.
Salve, Gervásio! Não há nada mais desmerecedor que ser taxado como "desnaturado" quando alguém sabe que um cearense não gosta disso que é chamado de forró. É triste saber que muita gente pensa que nossa cultura é essa auto-depreciação. Mas muito pior e estarrecedor é quando esse comentário - "não é cearense, não?" - vem de algum conterrâneo. Aí sim, vemos como a conjuntura é preocupante. As pessoas que isso afirmam não fazem a menor idéia do que é a cultura do Ceará e com sua visão distorcida, mantêm esse sub-mercado fonográfico.
Conterrâneo, receba meus cumprimentos. Antes de tudo lhe parabenizo pela iniciativa e digo: ESTOU COM VOCÊ E NÃO ABRO, NEM PRUM TREM! Se há algo que me incomoda é ver toda a sociedade permitindo a difusão desta porcaria inútil e, ainda, chamá-la de forró. Os que assim a consideram não sabem o que dizem nem têm idéia do mal que ela carrega - prostitui nossas filhas, embrutece os irmãos e suplanta a memória cultural e histórica do nosso Ceará. Continue com este espaço, pois ele é ultra necessário!
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